Bem Estar, Corpo + Mente

Susto

Sou das que escreve no susto, tomada por alguma emoção, ou porque vi ou ouvi alguma coisa que gostei demais. Na verdade não sou, eu ERA essa pessoa. Parei de escrever porque passei a ter um outro sentimento em mim: vergonha.

Vergonha de gente que não me conhece, medo de não agradar. Por mais que eu tenha a consciência de que não vim ao mundo pra agradar ninguém, me incomodava o fato de estar esposa. E ainda incomoda.

No ano passado ( a pouquinho tempo na real) eu trabalhei muito, lutei muito, me debati muito e simplesmente não cheguei a lugar nenhum. Quase no finzinho do ano, em Novembro perdi meu pai, e depois disso só conseguia pensar no tipo de vida que ele tinha levado, como teve muita coisa legal e como teve tanta coisa bem bosta, mas acima de tudo, como tudo poderia ter sido melhor se não fossem todas as amarras sociais que nos prendem. De algumas a gente não tem como escapar, não da pra viver de luz, mas algumas outras são mais cobranças nossas para com nós mesmos do que amarras impossíveis de se escapar.

Se é um estado mental, que a gente entra e não sabe como sair, esta cada vez mais claro pra mim que dá pra reprogramar esse estado. E é isso que eu quero pra mim e estou tentando. Passei tanto tempo num estado mental negativo, com tudo doendo, com tudo “errado” que a unica coisa que eu quero no momento é tentar mudar.

Pela vida cumpri todas as “regras” que colocaram sobre a minha cabeça, agora eu só queria tentar fazer as coisas de uma maneira diferente.

Eu mudei minha alimentação, estou optando por cosméticos e produtos de limpeza naturais, estou ouvindo as musicas que eu gosto, me dei de presente o silêncio, porque eu gosto dele e isso não diminui meu amor pelas pessoas, minha preocupação nem nada, só estou bem assim e vou me permitir.

Lembro de quando eu era uma menina totalmente hippie-odara. Eu passava os dias escrevendo, fazendo chá , acendendo incenso, ouvindo musica e lendo, lendo, lendo, eu estudava e trabalhava, mas dava tempo de ser o que não estava mais conseguindo ser ultimamente – SUAVE. Minha irmã dizia ” …um dia a gente vai entrar no quarto da Maria Rita e ela vai estar flutuando” e eu era ão leve (não fisicamente) que poderia de fato ser real.

Águas sempre profundas, nem sempre turbulentas

 

 

Eu já era uma pessoa politizada, até demais não se engane, mas a politica e a luta pro mundo ser da maneira que eu acreditava que era possivel ser melhor pra todo mundo simplesmente não me doía. Eu tinha minhas obrigações e elas não doíam. E olha que tinham cobranças pesadíssimas e ainda assim estava tudo bem.

Eu tinha cadernos e mais cadernos de uma escrita que fluía, e era bom escrever sobre tudo e sobre nada, escrever é algo que fazia parte de mim, mas eu matei por causa da bendita vergonha. Mas vergonha de que, de quem e porque? Pretendo passar por cima das minhas vergonhas que me regram de uma forma horrível, que me aprisiona e me tira o ar.

Quero me importar com o que importa, não comprar brigas que não são minhas, não fazer mais esforços que não me façam bem, não quero e a vida é minha (nota mental para guardar isso como um mantra).

Talvez eu crie uma newsletter, pra bater papo, pra chegar por e-mail e não em espaços pre determinados que dizem quem eu sou antes que eu mesma possa fazer isso. No mais, o que eu tenho a perder?

Bipolaridade, Dia a Dia, Estilo de Vida

E ai?

Sou blogueira a muitos anos, desde 1998. Lembro de porque comecei a escrever e como me fazia bem. Nunca fui de ter inúmeros amigos e basicamente me sino confortável demais na minha própria cabeça. Ainda não sei como me tornei uma comunicadora.

Escrevo, ou escrevia, abandonei o habito de escrever todos os dias. Me incomoda demais escrever com mais gente por perto, as vezes consigo, as vezes não. Vivo no dilema do : o que vão pensar quando lerem isso. Morro de vergonha. Vergonha da pessoa que eu sou. Desde sempre. Nunca releio o que escrevi, sempre peço ajuda pra alguém me contar ou lembrar sobre aquilo que escrevi.

Faz tempo que queria retomar a escrita, não sabia como fazer. Amargando uma depressão de não sei quanto tempo, me manter “em atividade” exteriormente não me impede de ter um interior cinzento. Mas sempre acreditei na escrita como ferramenta de mudança, então estou aqui me desafiando.

Quero tentar escrever sobre tudo e sobre nada e que seja diariamente. Escrever pra mim e não porque sou obrigada a escrever ou pra cumprir uma tarefa. Sempre foi algo meu e quero que volte a ser meu.

Pela minha cabeça passa: mas não é infantil demais manter um diário virtual, mas você é desenvolvedora wordpress mas ama a estética do blogger, você acredita que não existe uma beleza padrão mas deseja emagrecer, você quer uma vida menos tecnológica mas quer aprender novas linguagens de programação e muito mais sobre segurança da informação. Quero coisas diferentes, amo coisas diferentes e não quero mais questionar o que gosto ou deixo de gostar ou o que eu quero pra mim por medo do julgamento alheio, da critica cruel, de gente me contando o que é bom ou ruim.

Bloggar é exercício de descoberta pra mim, pra acalmar os medos, me organizar na bipolaridade. Vou escrever pra me manter lucida e provavelmente me afastar muito da Maria Rita que sou hoje simplesmente porque ela é moldada pelo meio.

Diário

…Vou dar a luz

Hoje precisei resolver um problema no banco. Deve estar fazendo uns 200° todos os dias, pensei em vestir algo fresco, confortável mas minimamente apresentável pra sentar a frente de qualquer gerente de banco e ser minimamente respeitada ( o que tem sido bem difícil ultimamente).

Dei aquela olhada no pinterest, não tenho o melhor guarda roupa, tudo custou/custa menos de 50,00, é de malha ou feito pra durar uma unica estação (mas dura 10, 20), mas adaptando bem está tudo lindo.

Não estou a pessoa mais confortável com meu próprio corpo, que mudou demais nos últimos meses, não me reconheço mais, me sentir bonita tem sido difícil, me sentir normal tem sido difícil.

Consegui me vestir, me sentir bem na roupa, vestido e camisa, ficou ótimo, me senti  extremamente profissional e confiante e sai, saia camisa e turbante.

No banco não fui atendida como esperava, fui solenemente ignorada numa agencia semi vazia, no momento em que minha senha foi chamada infelizmente TODOS os funcionários precisaram ir almoçar.  Solicitaram que eu deixasse os documentos e voltasse outro dia, para que eu não me “cansasse”. E para não me cansar mesmo, aceitei a derrota sem entender muito porque infernos eu estaria cansada. Mas logo entendi quando peguei um ônibus e metade dele se levantou, inclusive uma idosa para que eu pudesse me sentar. Meu tamanho indicava que eu só poderia estar grávida, de vários meses, vários. Passei a catraca e mais lugares ficaram a minha disposição. Muito sem graça e morta por dentro, aceitei um deles, me comportei como esperavam que eu me comportasse.

Ainda precisei passar em alguns lugares depois do fenômeno no transporte coletivo, e fui tratada da mesma maneira. Grávida.

Eu ainda estou trabalhando isto dentro de mim, o que significa, o quanto disso molda a pessoa que eu sou. SE DE FATO FAZ ALGUMA DIFERENÇA.

Pode ser o momento, pode ser o tamanho, pode ser a idade, pode ser apenas que eu esteja cansada de sentir o que eu sinto agora.

 

Corpo + Mente, Diário

Manhã Dificil

São nove da manhã, e estou acordada desde a seis, um sábado. Faz umas três horas mais ou menos que na tv só passam programas sobre perda de peso, superação, cirurgia Bariátrica, o peso da nação…
Não é a melhor manhã para se estar gorda, não é a melhor manhã pra subir na balança.
Passei duas semanas doente como um cão, trabalhando como uma alucinada, cuidando de pessoas e ganhei 10 quilos.
Não reconheço meu rosto no espelho, pela primeira vez na vida o diabetes me assombra por ter atingido não a mim, a irmã gorda, mas afetou a minha irmã mais magra.
A vida da gente é tão curtinha, eu fico pensando na mulher que eu queria ser e nos porquês de não sê-la.
Enfim, manhã complicada.
—–
Conforme as horas vão passando a ciência do tamanho de alguns desafios vão batendo. Mal consigo chegar tranquila na metade do dia, como imaginar seis meses nesta sintonia estranha?
É como se eu fosse feita em 3, uma certa, uma errada e uma que assiste o debate.

Feminismo, Negritude

Um peito que queima – A Cor Purpura e a Solidão da Mulher Negra

Eu assisti  A Cor Purpura quando eu tinha dez anos de idade. Minha mãe havia alugado, era alguma data comemorativa, pascoa ou ano novo, não vou me lembrar. Mas estávamos reunidos, meus pais, irmãos e meus avós estavam presentes e isto acontecida apenas nas datas comemorativas.
Assisti e alguma coisa em mim estalou, possivelmente porque o filme tinha em sua grande maioria personagens negros, e os personagens brancos eram só um marcador de uma violência sutil, logo deve me ter parecido irrelevante por qualquer razão. Mas me marcou mesmo porque diferente do que passava nas novelas, existia ali uma violência muito familiar (até no nome vejam só) – era a violência domestica.
Nunca mais assisti ou li  A Cor Purpura novamente, mas lembrava até da musiquinha cantada na brincadeira das palmas. Não sabia sobre o que o filme era aos 10, fui entender que é sobre a solidão da mulher negra aos 33, fui rever o filme aos 35.
Na madrugada do dia de hoje, sem dormir, voltando do hospital pra tratar a gripe do meu filho de nove anos, lidando com o barulho do gato que vai ser castrado hoje e precisava de jejum, com o retorno ao hospital depois de uma longa espera sem atendimento, com o trabalho “oficial” pra fazer que não pode atrasar porque tem prazos sérios. Lidando com isso tudo ai e a vida normal eu revi A Cor Purpura.
Logo eu que me recuso a ver filmes sobre a escravidão, não vi 12 anos  de escravidão, não terminei Amistad, me recuso a ver de novo Tempo de Matar, não vi What’s Happened Miss Simone, não vi Vênus Negra. Minhas mãos tremem diante de alguns títulos que passo por ai, um tremor real. Como é algo que posso evitar, evito com todas as forças. Mas desta vez parecia até uma sugestão. Zapeando passo uma, duas, três vezes pelo filme e ele esta lá, bem no comecinho, o plano era cochilar então tanto faria em que canal estava, mas o sono não veio.
Faz uns quarenta minutos que o filme passou, Nettie e Celie já se encontraram a quarenta minutos atras, a criança esta medicada e vendo seus vídeos no youtube, eu estou sentada trabalhando e meu peito e garganta queimam.
Queimam por que não importa a época em que o filme se passa, agora ele também é sobre mim, sobre as violências que passei, sobre evitar de toda a forma o sorriso que hoje é feio, sobre estereótipos que aniquilam, sobre a verdade dos outros sobre a violência em Sophia, é sobre a solidão da mulher negra de fato, é sobre dores silenciosas.
Fico pensando em como foi pra minha mãe ver isto. Ela separada da irmã por situações da vida, sendo em muitos casos Nettie, em outros tantos Celie. Sentada na sala da própria casa, cuidando dos filhos dela e do irmão, e logo chegariam outros que pouco entenderiam o significado deste esforço, mas ainda assim chegariam, e ainda chegam. O peso dos julgamentos, das suposições, o enfrentamento. E o que eu vi esta mulher viver e fazer, vocês não tem ideia, do poder, da necessidade, do instinto de proteção e sobrevivência. E não, ela nunca foi “só” isso, embora nestes 35 anos de vida eu a tenha visto chorar apenas 5 vezes na vida, cinco, contados nos dedos, e só penso o tamanho da bigorna que ela arrasta pela vida por não ter tido o direito de ser outros sonhos, outras sutilezas, outras possibilidades.
Vinte cinco anos depois de ver o filme pela primeira vez constato que minha vida seguiu o caminho da história que contam sobre nós. Estereótipos machistas, racistas, de violência perpetuados também entre mulheres – Brancas e Negras – não por maldade creio eu, mas pelo simples desconhecimento do tamanho de certas feridas, da dimensão de certas armas.
Penso cada dia mais nesta tal solidão, hoje meu trabalho mais importante, e talvez por isso o mais demorado de toda a minha vida é também sobre isso. Ele é significativo e não é meu, é de uma outra mulher negra, que não sei como se sente no dia de hoje, mas a solidão também deve ser companhia constante, bigorna cada vez mais pesada. Não é apenas sobre afeto este trabalho, não se engane.  Ela esta longe, e eu sou péssima em skypes, videos, snap, youtube porque ali não tenho como esconder a minha imagem, mas se um dia você ler isso minha amiga, independente do nosso contato, da nossa distancia, independente do nosso trabalho e das fluências: “Sister you’ve been on my mind” e agradeço por estar ousando tentar tocar nesse assunto que deveria ser mais caro para nós mulheres negras.
Ainda trabalho todo dia para entender o que eu fiz comigo e o que fizeram de mim. A umas duas semanas atras enquanto pesquisava sobre mulheres na tecnologia, fui acolhida por um grupo de mulheres negras, que pensa e discute o assunto, e descobri que tenho qualificação para receber salários absurdos, conhecimento suficiente para educar batalhões, que sou boa no que faço, que sei mais do que acreditava saber e que carreira é algo importante pra mim. Até este ponto eu acreditava apenas ser rasa em todos os aspectos do conhecimento, acreditava que não saber atalhos o suficiente num programéco de computador poderia definir um profissional. Que qualquer salario basta,  desde que me sustente e a meu filho, que minha vida é ir de doméstica a operadora de telemarketing (profissões completamente dignas e sustentáveis, pouco valorizadas diga-se de passagem , mas só constroem alguém quando esta não é a única e exclusiva opção que uma pessoa tem e quando ela é preparada para acreditar que pode sempre ser absolutamente qualquer coisa). Trabalho com desenvolvimento WEB  a 14 anos, mas nunca olhei para isso como profissão, quase nunca recebi por isso, era a colega que fazia um favor enquanto passava roupas por 50 reais na casa da irmã mais rica e separa os pares de meia do cunhado um por um para comprar uma caixa de leite. Após encontrar estas mulheres, preenchi corretamente um perfil profissional na internet: Web Developer Sênior porque é quem eu sou. Nada menos que isso. E isso também é sobre a solidão da mulher negra, sobre ter achado aceitável ouvir de um chefe homem branco que “Eu deveria entender que não poderia ser promovida para a a área de T.I da empresa embora eu fosse excelente porque minha APARÊNCIA não era compatível com a área” eu ouvi, achei razoável e disse apenas “Sim, eu entendo”. Eu sou a pessoa que recebeu um emprego de bandeja, havia possibilidade de estudo e eu me achava obviamente rasa em todos os assuntos, o que me mantinha de fato inibida diante de qualquer possibilidade, descobri que recebia menos que o estagiário por 8 horas de trabalho duro, que eu fazia enquanto meu pai se estrebuchava com um câncer terminal agravado e eu recebia ligações desesperadas da minha mãe que cuidava do meu filho na época de que precisava de ajuda e ela de fato precisava, todos nós. E eu ouvi que o maior dos meus problemas, que me ancorava além de uma mania de perseguição, era minha Baixa Estima, nisso a pessoa acertou, mas não justificava me pagar pela minha querencia por mim mesma certo? Errado, eu achava completamente compreensível, aceitei numa boa parecia uma verdade absoluta, continuei achando uma oportunidade única na vida, tentei me agarrar com unhas e dentes ao local, mas o câncer ainda venceu.
Eu fui convencida de que se eu fizesse trabalhos de excelência, se superasse expectativas, tempo, condições sub-humanas de esforço e qualidade de vida, meu valor seria visto e reconhecido. Foi assim por onde eu passei, está em mim, mas hoje, depois de ver o filme de novo repenso que a única pessoa que esta apta para dizer quem eu sou e qual o meu valor sou eu. Eu sei quem eu sou, do que eu sou capaz, onde eu posso chegar e não preciso de alguém me aprovando ou validando quem eu sou. Hoje eu sou Web Developer Sênior, uma mulher preta na tecnologia e eu sou muito boa no que eu faço, pena que nem todo mundo acredita e ainda me fala como eu devo desenvolver meu trabalho para que ele seja melhor pra mim e pra pessoa, nestes casos faço o que me pedem, mas ciente de que vai sair ó – uma bosta. Eu ficava preocupada, fazia de tudo para não contrariar um “cliente” mesmo sabendo que a solução iria ficar pior do que o proposto, a pessoa deveria ser melhor qualificada do que eu certo ou errado de novo, só ficava ruim, mas quem confia na palavra da preta, gorda, conversinha fiada de mãe, mas quer saber, não é de verdade um problema meu. Mas deixa na minha mão e prometo que você vai chorar de alegria com aquilo que eu sou capaz de fazer. Mas essa descrença em mim, na possibilidade de estar em espaços que não são direcionados pra mim, também é sobre a solidão da mulher negra, estereotipo de força braçal apenas, resiliência, aceitação.
Só aos 35 anos, com um tempo para me rever, me avaliar, me testar, eu me permiti fazer uma pós-graduação porque talvez eu consiga, alias eu sei que consigo. E neste EU CONSIGO agradeço demais o grupo de pessoas que encontrei pela Alemanha – graças a ponte de amor da Luciana de Oliveira e do Paulo Nazareth (estar em Minas, naquele momento, naquele evento e por tudo que veio depois disto) – Este grupo de pessoas melhorou muito minha visão sobre quem eu sou e como disse o Renato Silva : Não falem em português com ela porque ela entende tudo, ela só não sabe que sabe. – Obrigada Renato, de fato EU SEI , mas isso é história pra outro post, cheio de saudade e luta alias. A experiência na Alemanha , um assunto do qual eu pouco falei, porque acreditei que ali não era meu lugar, que não era pra mim, que alguém tinha cometido um erro.

Enfim.

Mas escrevo e meu peito ainda queima, queima porque vim escrever em um espaço lindo, meu exclusivo, que estava protegido por uma senha (mantendo a solidão no que me afligia, afinal pra que falar se ninguém escuta mesmo) , mas que nasceu para que eu trabalhasse minha imagem no espelho, e a verdade não é só porque ando com medo da morte, e eu ando, mesmo, nunca estive tão adoecida em toda a minha vida. Mas era uma situação secreta por medo do fracasso, do julgamento, e da vergonha de não ter minha fala reconhecida em qualquer outro espaço por estar me rendendo a uma sociedade que fede e me adequando a ela. Era secreto porque eu não precisaria dizer em voz alta que eu quero retirar mais de 40 quilos do meu corpo porque não quero parecer furiosa, eu não estou furiosa e na internet, por carta, por mensagem não existe UM TOM de voz que vocês não suportam, o que existe é a sua mente mergulhada naquilo que vocês veem de mim, e dos outros. Não importa o quão conectado com questões sociais, afetivas, o quanto vocês amem alguém ou queiram o bem, vocês veem o outro como vocês querem ver. Vejam só, não importa de fato o que eu penso sobre a minha própria pessoa, eu ainda estou num universo social que tem a própria visão de mundo sobre quem eu sou, e isso incomoda, porque não falo de um universo social alternativo, geral vestida com camiseta da CBF, falo sobre você, meu amigo, meus amores, minha família. É por vocês que eu gostaria de ser vista como quem eu sou , por baixo das camadas adiposas que fazem com que o mundo e VOCÊS me vejam como uma mulher negra, grande e furiosa. São em grande parte vocês mulheres negras, mas tudo bem, eu sei o que fizeram da gente, e isso também é sobre a solidão da mulher negra. Pra variar eu entendo cada xingamento, cada agressão, cada injustiça, cada fofoca cruel, entendo porque afinal não é o que ensinaram a gente a fazer? Nos bastar sozinhas? Estereótipos não valem muito mais do que conhecer pessoas? Não foi EXATAMENTE o que fizeram comigo? Com Você? Sim, isto é muito sobre a solidão da mulher negra.

THE COLOR PURPLE, Oprah Winfrey, 1985, (c) Warner Brothers/courtesy Everett Collection

Oprah Winfrey, 1985, como Sophia em A Cor Purpura – (c) Warner Brothers/courtesy Everett Collection

Mas um fato sobre a minha solidão e quem convive com ela, eu não tiro mais fotos, não tenho espelhos nem de maquiagem além de um no banheiro porque os meninos da casa precisam desses, moramos em uma casa sem espelho porque não quero, não gostaria e evito de passar por um. Mulher negra gorda estereotipada como a imagem da fúria, do fracasso, de uma preguiça inexistente, da ausência da possibilidade de amor real (que não seja atrelado por um status qualquer, figurinha colecionável, dinheiro, casa). Isto é o que me ensinaram a vida inteira, o que me entregam em uma badeja para que eu sinta, toque e viva dia após dia. E aqui sou de novo Celie, e não vou sorrir sem controlar quais dentes aparecerão. Não acredito em qualquer palavra do que dizem pra mim. Mono ou não mono, com negros ou brancos, homens, mulheres ou pessoas não binárias. Sou pária, a imagem do abandono na mãe solteira/sozinha/separada. E obvio isto também é sobre a solidão da mulher negra.
Acho que eu vou parando de escrever por aqui porque o peito já não queima tanto, é possível respirar fundo de novo sem engasgar, vou entrar no dilema publico ou não publico. Sou assim, sempre fui…mas são novos tempos. É possível que eu também mude.
Passei a vida toda detestando o roxo, o lilas, o purpura, imagino que não tenha qualquer relação com o filmes ou o que ele represente, acho que vou dar uma chance pra ele, pelo menos pra olhar pra ele mais adiante.

– Deus deve ficar furioso quando você passa pela cor púrpura no campo, e nem se dá conta.-Está dizendo que Ele só quer ser amado (..) ?-É, Celie. Tudo no mundo quer ser amado. A gente canta e dança e grita porque quer ser amada.

A cor purpura.
Não sei se vou seguir escrevendo, mantendo um blog, falando de qualquer coisa que seja. Mas sempre fui blogueira, me perdi da escrita, mas não quero ter mais nada tomado nesta vida.

Cartas

Carta 002 – de Abandono

Hoje vou deixar pra traz algo que amo. Que custou muitos dos meus dias, da minha paz.

Deixo aquilo que amo por estar acabando comigo de muitas formas.

Estou indo embora e deixando algo que amo pra traz, e dói, chega definho.

Mas nenhum amor deve doer. Se dói não é amor. E isso vale pra tudo aquilo que a gente ama ou diz amar.

Espero ter coragem.

Esta carta é pra mim, para me pedir para sair de um relacionamento abusivo e violento. Maria Rita vá em frente, e vá viver.

Corpo + Mente

Me apaixonando por mim

Finalmente consegui me organizar este fim de semana para ter uma reeducação alimentar mais tranquila.
Fim de semana cheio de textão de internet, uns meus, outros que surgiram com a minha cara estampada e eu tendo que lidar com a minha imagem constantemente. Pouco acessei,não comentei absolutamente nada, nem para agradecer, já que rolaram comentários lindos e acolhedores.
Hoje se conseguir me pesar mudo o dia de pesagem para segunda, mas não acredito que o ponteiro da balança tenha se movido, ainda é cedo. E falando em cedo, hoje foi dia de volta as aulas, família toda acordando 5 da manhã, mas conseguimos tomar café todos juntos e como tínhamos nos organizado no dia anterior foi suave a saída de todo mundo.
Estou com grandes expectativas com tudo que vem acontecendo na minha vida, estamos bem na casa nova, pagando aluguel sem sofrer, gosto do meu emprego, criei coragem para voltar a estudar, me matriculei hoje mais cedo na pós graduação, minha família esta bem, feliz, bem cuidada e estou em processo de emagrecimento.
Normalmente fico ansiosa com qualquer processo de novidade na vida, ao mesmo tempo que morro de medo de estagnar, não sei nem nomear que fase é esta na minha vida, acho que vou chamar de retomada, estou me reapaixonando por mim, quem sabe?
Não tenho tido problemas com a dieta, não ultrapassei os pontos, em todos os dias tenho uma sobrinha de 5 ou 6 pontos, mas ainda não consegui deixar tudo verdinho, esse será meu maior desafio, assim como a inclusão de frutas durante o dia, não sei exatamente onde comprar aqui próximo do trabalho, amanhã é dia de feira, vou apelar por comprar e trazer, não será muito prático por não termos uma geladeira grande e estar um calor absurdo por aqui, mas vamos aos testes 😉
Corpo + Mente

Jornada

Não consegui seguir com a dieta que escolhi antes, era quase uma punição embora repleto de coisas gostosas. Para meu bolso ficou caro, os dois quilos perdidos foram rapidamente recuperados.
Meu mal por toda vida foi a pressa, a ausência de sentido e o fato de me sentir bem além da crença de que seria impossivel emagrecer, me faz querer resultados rápidos, assim posso lidar com os erros e fracassos logo e seguir em frente. Mas eu sinto que de alguma forma agora é diferente.
Já não me sinto tão bem como antes, não me sinto confortável na minha própria pele.
Preciso de uma transformação na vida, pessoal, profissional, intima. Mudar a forma como me vejo, como me relaciono com as outras pessoas, como levar uma vida mais plena. Enfim, preciso inclusive descobrir quem sou, o que de fato gosto, o que em mim sou u e o que em mim é para agradar os outros.
Me sinto estagnada, com uma vida feliz, mas com a sensação de que pode ser ainda mais.
Começo hoje essa nova etapa, esse processo de emagrecimento a longo prazo. Depois de observar o corpo nu, depois de ver mais uma amiga querida agredida por causa do formato do seu corpo.
O período coincide com o tempo de estudos para conclusão da pós, para aperfeiçoar o inglês, para tomar um rumo profissionalmente.
Hoje começo tudo de novo, por 10 meses. Que a trajetória seja linda ^^

Pretas de Peso, Resistência

Um corpo gordo contra um sécto de ignorantes

Vai completar um ano que não saio de casa com qualquer tipo de alegria, de vontade ou sem medo. Não é medo de assalto, de estupro, de me perder, os dois primeiros obviamente existem, o terceiro confesso que de vez em quando. Meu medo, pavor, desespero, angustia é do olhar alheio sobre meu corpo.

Fui gorda a vida toda, não o novo plus size, não acima do peso, não gordinha, eu sempre fui gorda. Nunca tive um real problema de não gostar do meu corpo, mas ficava maluca de ódio por não conseguir me vestir da forma como gostaria porque as roupas simplesmente não eram feitas pra mim.

As ofensas, poxa, são tantas, desde tão cedo que mal consigo concatenar quantas vezes as pessoas foram cruéis apenas na intensão de ser cruel mesmo. Uma mulher negra e gorda é um alvo em qualquer ambiente, seja escolar, familiar ou corporativo.

Somos eleitas as mais feias na infância, a baleia, a rolha de poço, nos acostumamos com o risinho histérico das demais crianças na louca expectativa de que uma cadeira ou banco quebre quando a gente senta. As últimas escolhidas nas brincadeiras, as últimas escolhidas para dançar (na real não existem danças). Nos acostumamos a ser as engraçadas, inteligentes, e um dia isso rouba a nossa personalidade, passamos a viver o escudo que criamos.

Conquistar um emprego é uma dureza, somos o estereótipo, não vamos aguentar um dia todo de trabalho, precisaremos parar para vários cafezinhos, não passamos o tempo todo em pé e se precisar correr obviamente seremos julgadas como incapazes, mas essa lógica sobre quem somos surge sempre quando o entrevistador/selecionador nos vê diante de seus olhos, mas não raro o que lhe chamou atenção num currículo é apagado pela “figura da gorda”.

Nossa família insiste que mais magras seremos mais bonitas, que não vamos conseguir conquistar ninguém gordas, que nosso destino será cruel e fatal por sermos gordas. Ouvimos as mesmas ladainhas de médicos, de professores. O corpo gordo serve para ser humilhado, é um corpo preguiçoso, não desejado e sendo esta atrocidade não pode ser provido de qualquer sentimento certo? ERRADO.

Não se fala sobre gordofobia e o quanto isto afeta o psicológico de pessoas que não estão fazendo nada demais, estão apenas existindo. A cultura da magreza extrema é um fato, assim como a cultura eurocêntrica que nos embranquece a qualquer custo, mas sobre as inúmeras doenças causadas pela cobrança do corpo magro não queremos dialogar com o mesmo afinco que dialogamos outras opressões, mas porque será? Será que todos escondemos nossos preconceitos menos sujos embaixo do tapete? Acredito que sim.

Nas ultimas três semanas inúmeros ataques a pessoas gordas ocorreram com os mesmos requintes de crueldade das crianças. Mulheres que ousaram amar seus corpos exatamente como são foram expostas, ridicularizadas e agredidas diante do “grande” público servindo como entretenimento barato de uma massa que considera esta prática uma diversão. Homens em sua grande maioria, mas aplaudidos e orientados por inúmeras mulheres. Pessoas que não sabem absolutamente nada da vida das envolvidas em seus comentários horrendos, pessoas que sequer tem ideia de quantas pessoas são atingidas com a prática da trolagem (Trolls  na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas nela envolvidas) ou talvez tenham, mas uma vez que estão escondidas pelo falso anonimato proporcionado pela internet extrapolam os limites, levam pessoas a desencadearem doenças , levam as pessoas à morte. Não está na hora de uma consciência maior sobre a prática de trolagem e de bullying? Sobre a gravidade da agressão verbal tão ignorada por todos?

Vivemos na sociedade da opinião, onde a necessidade é opinar mesmo que não se saiba uma linha sobre o assunto. Neste ponto a internet é maravilhosa porque dá a liberdade de qualquer um, em qualquer lugar contar uma história, fazer uma denúncia, promover encontro de iguais, mas ao mesmo tempo que liberta para o bem comum ou pessoal, liberta pra todo tipo de maldade possível, afinal basta ocultar publicações de familiares e companheiros de trabalho ou encontrar um grupo (e existem vários) que aplaudam e parabenizem por cada vez que um membro do grupéco destrua um desconhecido e está tudo certo, a pessoa escapa de julgamentos, de lições de moral e está em segurança para seguir cometendo seu delito e acreditando que é apenas um humorista exercendo seu direito a “opinar”.

Mulheres e homens com corpos que não são o padrão de beleza cultuado tem enfrentado uma jornada pela aceitação e pela possibilidade de uma vida normal. O argumento de que a prática da crueldade contra pessoas gordas é uma preocupação com sua saúde, ou que ao aceitar corpos gordos a sociedade vivera uma epidemia mortal que nos dizimará, é de uma desonestidade única, já que não há a menor preocupação destas mesmas pessoas em preservar a saúde mental dos atacados, de médicos em prestar um atendimento investigativo para seus diagnósticos que não raro são limitados a observar o tamanho da pessoa e prescrever que emagreça ou a preocupação com relação a quantidade de pessoas neuro-atípicas que são produzidas pelo inferno que são os outros.

Além de distúrbios como depressão e bulimia, a anorexia nervosa é uma doença que teve um crescimento de mais de 100% de 1999 a 2011.

A anorexia nervosa e a bulimia são distúrbios alimentares que afetam pessoas de todas as classes sociais. O número de casos vem aumentando entre homens e mulheres de todas as idades, mas especialmente em adolescentes do sexo feminino e crianças. Distúrbios psicológicos e psiquiátricos podem contribuir para reforçar a cultura da magreza corporal como padrão de beleza, assim como o bullyng, e o cyberbulling.

A anorexia nervosa é uma condição onde a pessoa não ingere uma quantidade de alimentos para suprir as necessidades nutricionais de calorias, proteínas, vitaminas e minerais. Geralmente, diminuem o número de refeições e preferem alimentos com baixa caloria ou permanecem em jejum por tempo prolongado. O resultado final é a perda excessiva de peso com grandes consequências psicológicas e no funcionamento do organismo. Se não tratada corretamente tem alta probabilidade de evolução para a morte.

As pessoas com anorexia veem sua imagem corporal distorcida e, mesmo estando extremamente magras, sempre se percebem gordas. Isso justifica para elas a restrição alimentar cada vez mais rigorosa e o abuso de drogas laxativas e inibidoras do apetite.

A bulimia nervosa parece ser mais comum que a anorexia, mas não compromete tanto o estado nutricional como na anorexia. O jovem pode manter o peso dentro da normalidade ou mesmo estar acima do peso, tornando a distorção do tamanho corpóreo menor do que aquele observado na anorexia nervosa, o que de forma alguma significa que a pessoa está saudável ou que é algum comportamento que permita o bem estar.

Para além de estados neuro-atípicos, quantos não são os que cometem ou consideram o suicídio?

 

imagem

Ashley Graham para a campanha #ImNoAngel”

 

Quantas de nós, mulheres gordas não consideram qualquer um dos itens acima para encaixar num padrão absurdo, que considera o plus size algo próximo da foto acima, ou na tentativa de acabar com um sofrimento invisível tido como brincadeira? E quando é que nós como sociedade vamos nos responsabilizar pelas atitudes do todo? Porque escolas não ensinam a não ser racista, machista, homofobico, lesbofóbico, transfóbico, GORDOFÓBICO? Porque não há responsabilidade da parte de ninguém ou do todo sobre aquilo que obviamente não traz nada de positivo, não é comédia, não é humor, não é saudável é só cruel e criminoso?

Desde de julho de 2015 a Nova Zelândia criminaliza casos de Cyberbulling e Trollagem na internet. Na Inglaterra empresas anunciantes boicotaram o ASK.FM por permitir a prática da Trollagem e do Cyberbulling até levar pessoas ao suicídio. Aqui grupos criados com o objetivo de ataques conjuntos apenas crescem e alimentam a ideia de que a violência verbal, escrita, não tem peso. Até quando vamos permitir isto?

Eu, não raro, vivo o conflito entre amar meu corpo (algo que não tenho conseguido ultimamente) e emagrecer. Me sinto traindo o que eu acredito, que é preciso amar quem se é para poder levar uma vida plena, e aquilo que imagino me faria bem. Engordei 23 quilos em dois anos por conta do uso de corticoides para a cura de uma suposta alergia, que há pouco se revelou uma psoríase nervosa. Gostaria de não ter esses 23 quilos pois mal me reconheço no espelho, mas mesmo que perdesse os 23 ainda manteria mais de 80 kg num corpo de 1,59, permaneceria gorda, mesmo sabendo que poderia chegar aos 60, 50 ou apelar para uma nada saudável cirurgia bariátrica, que me emagreceria, é fato, mas jamais me daria uma vida “normal”. Porque é quem eu sou, é quem eu fui a vida toda e é como sou feliz, sou feliz (e sim SAUDÁVEL)  gorda, não fofinha, não acima do peso, GORDA. Além do conflito entre crença e ação, além da pressão para uma perfeição inexistente, de encarar a saída de casa, a humilhação de ver pessoas deixando o banco ao meu lado no ônibus sempre vazio por mais que o ônibus esteja lotado, além do julgamento no mercado de trabalho, do julgamento e do pavor de comer em público — porque claro pessoas gordas comem até morrer, não é o que a mídia diz e usa para fazer chacota? — ainda é necessário passar pelo julgamento do outro, do desconhecido. Observar pessoas de corpos iguais ao seu sendo massacradas pela opinião alheia. Opinião que ninguém pediu, ninguém quer e a real é que nem é opinião, é só um comportamento violento apoiado por um secto de ignorantes. O ataque a essas mulheres me atinge diretamente, me afunda, me destrói e eu admiro o trabalho e a coragem de quem felizmente diante de tanta desgraça, aposta no body positive, que incentiva que a gente ame nossos próprios corpos, que se expõe e que incomodam se amando e sendo amadas independente da agressividade de quem não suporta o tamanho da sua insignificância diante do poder dessas mulheres.

Eu ainda vou patinando rumo a lidar comigo, com meu corpo, com o voltar a ver beleza e me sentir confortável na minha própria pele, mas posso dizer que diante da positividade de eventos como o Ocupação GGG, de blogs como o Grandes Mulheres, Gorda não é uma palavra Ruim e o Gorda e Sapatão é que vou seguindo, vou aprendendo a me amar (de novo) e a permitir ser amada.

Não será o amargo das palavras dos outros que vão nos tirar do caminho, somos muitas, não aceitaremos mais a margem e cada dia mais tomamos consciência da nossa beleza. Já nos tiram tantas coisas diariamente, nos tomam, e ainda acreditam poder nos derrubar, mas não vão.

Que mais pessoas se atentem para a nocividade de determinadas atitudes, que mais pessoas denunciem sendo ou não a vitima de ataques virtuais, quem cala consente. Que as denuncias sejam acolhidas e cheguem as autoridades, as famílias, aos empregos dos agressores. Que empresas sejam responsabilizadas pelo comportamento criminoso de seus funcionários (porque trabalhos educacionais são SEMPRE possíveis) que exista o boicote a marcas, pessoas e locais que permitam a agressão motivada por gordofobia. Piada boa é quando faz todo mundo rir, quando não fere, quando não mata.

Parem de nos adoecer, parem de nos matar. E mulheres gordas, sigamos, pois somos lindas e a única opinião que importa sobre nosso corpo é a nossa e de mais ninguém, então que a gente aprenda a se amar, porque amor também se ensina.

Sobre Cyberbulling e denúncias “O primeiro passo é guardar o material que pode servir de prova em caso de intervenção de alguma entidade especializada. O indicado é arquivar a página da internet, usando o comando Print Screen do computador. Faça um registro em cartório extrajudicial da página. É importante também ter um laudo de um psicólogo para avaliar os danos psicológicos que foram desencadeados pelo cyberbullying. Após reunir estes documentos, procure um advogado de sua confiança para a abertura de processo na justiça por meio de uma Ação Indenizatória por Reparação de Danos Morais”. – Cláudio Andrade, Advogado.

Hoje a agressão de uma companheira de luta, de uma amiga querida me acerta aqui dentro de casa, debaixo das cobertas, enquanto troladores se divertem por hora em seu suposto anonimato. Até quando? E você, já reviu suas “piadinhas”, sua “questão de gosto”, seus conceitos de certo ou errado? Já pensou no que suas falas e comportamentos contribuem para a manutenção de uma sociedade de horror? Reveja seus conceitos parça, e dê sua opinião só quando alguém te pedir 😉

 

Referências:

Rede Ebc – Anorexia e bulimia afetam cada vez mais crianças

Marie Claire – Anorexia: de quem é a culpa

Terra – Anunciantes britânicos boicotam rede social Ask.fm após jovem sofrer bullying e cometer suicídio.

PPLWare – Cyberbullying passou a ser crime na Nova Zelândia